(R)enunciações Será que, de fato, há um temor sobre a diversidade? Penso nas profundas relações que podem ter quando alguém te olha pelo reflexo do espelho do armário de banheiro numa estação de trem, na pacata cidade do interior gaúcho. Um jogo de intensificações desafiadoras... Ele alto, olhos verdes e mão grande (como o resto de corpo) paira sobre a mira de meus olhos num surfar em maré cheia de arrolhos foscos sem trincheiras. Onda de ataques vertiginosos na estiva da beira do porto, em um bar velho que vende caldo verde: que queima a boca do estômago numa manhã de terça-feira cinzenta. Não evitaria retribuir um sorriso diante do encontro de olhares que mostram as curvas doces da face humana, com o ar provocador de enigma. Quem estaria ali dependurado mofando de preto? Ou talvez, a pedra que marca quando ele surgie novamente carregando as botas pretas sobre o ombro forte, porém quebrado pelo apito da fábrica de roupa íntima. Do corpo ao corpo, um tom maior pode abrigar aquela delícia de sonho, que quando acordado parecia uma silhueta selvagem da mulher de cordas na mão direita, junto ao pedestal de prata e mármore solto pela rua abaixo. Na janela: renuncio!
Escrito por Wilton Garcia às 13:12
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