
Autoretrato discreto (foto, cor, 2008) Maré cheia
Um grupo de jovens universitários tomava caipirinha num animado quiosque bem próximo do calçadão da praia. Fim de festa noturna e começo de uma virada celebrativa para comemorar o aniversário de Janaina. De pranto à encanto, eles cantavam, dançavam comiam e bebiam. Enfim, se divertiam. Era meio-dia e o sol brilhava mesmo pra valer. Um intenso calor projetado ao céu azul misturava com a luz incandescente de um abafado sol quente. Confesso que foi um dia estranho para ser primavera, em tom de efervescente de verão: misto de vento, chuva e trovoada que se anunciaram na madrugada anterior. Na praia, ela brincava com as duas crianças construindo um castelo de areia ao aguardar o marido com os refrigerantes. De um lado, uma senhora de chapéu-de-palha oferecia um pouco de sombra com seu corpo grande (pra não dizer, gordo). De outro, o barulho das águas lançava um tom ensurdecedor que arrebatava-se em uma monte de pedras perto dali. Nada de calmaria podia prever o inevitável acontecimento de mudança climática da natureza na agitada praia de maripe, onde os pescadores remavam seus barcos simples à vela... Como um soco forte no estômago, a maré subiu repentina. Tudo aconteceu rápido demais para ser verdade! Sem ninguém perceber, o mar invadiu a praia em um único golpe numa onda gigante que ao afastar-se dali levou comida, bebida, brinquedos, cadeiras, sombrinhas, pessoas, criança, gente. Era uma resposta da lua cheia que proporcionou a procura desenfreada por pedaços de imagens, fragmentos que pudessem registrar e/ou afirmar o que havia acontecido. Quase um Tsunami passou por ali. Será? Marca-se um fenômeno natural que expande as consequencias de viver o bem-estar familiar num dia de domingo em plena regozijo de prazer, dor e sofrimento. Nesta hora, o susto imperou.
Escrito por Wilton Garcia às 12:55
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