
Com verbo No princípio, era apenas o verbo! É da palavra a impressão gráfica e editorial que se faz as coisas e o mundo. Ambos são e estão no contento do verbal. Copiar, recortar, colar, hoje, faz parte do show. Há pertinência na edição de um texto para a composição redacional adequada, eficiente. A máxima da criação, sobretudo com a tecnologia digital, está na expectativa de propiciar um diferencial criativo. Algo que expande, amplia e dá um "novo/outro" contexto representacial (inter)subjetivo. Num turbilhão de orações, frases, sentenças e parágrafos, organizam-se idéias, mensagens, códigos, memórias. Embora mídia e mercado procuram (emprestado do design) o princípio da síntese: escrever o máximo no mínimo. A experiência verbal (inter)media a possibilidade diversificada entre narrar, descrever, dissertar - são modos de escritas distintas, porém complementares. Por isso, a disposição dos argumentos de um (inter)texto torna-se potente diante do verbo que se verbaliza e a escritura se vê/lê recorrente do esforço de manifestar qualquer pensamento: expressão codificada. A passagem da imaginação à tecitura (na tessitura) da palavra convoca uma dinâmica aflita com a palavra. Nada pode conter a excelência do verbo em si! A lógica do texto poético ou em prosa evoca e estimula a significação de resultados, numa tradução intersemiótica. A partir da palavra ressalta-se a cena ao destacar voz, gesto, escrita, som e imagem. Busquei na mata o tom enigmático de Guimarães, mas me perdi entre as pedras no caminho de Drummond. Talvez pudesse ser a trilha que mostra o Rio de João Cabral ou a praia cabocla de Caymme. Quem sabe, até mesmo, o retrato de uma família falida ou, ainda, fazenda São Bernardo com o feito grotesco do coronel. Do sonho de Helena ao devaneio de Lara, o desejo se rebate em cenas indescritíveis. Paradoxalmente, o inefável emerge, aparece. Assim, tudo pode acontecer quando as articulações do vocábulo tomam forma.
Escrito por Wilton Garcia às 10:22
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