Sem som
Hoje não tem som. Apenas o silêncio!
É preciso deixar que o som se apague como o fino limite das gotas das folhas que caem das plantas. Será a fresca do orvalho? Ou Talvez, o barulho das ondas do mar não possa dizer mais que uma tom impactante. Porque não deve haver nenhum tipo de sonoridade que abasteça os ouvidos. Nada será ouvido. Desligue o telefone celular e não deixe a porta do carro bater forte, para não projetar qualquer coisa estridente. Nada de som mesmo! E, quando alguém solicitar que a música continue, diga que agora só pode o silêncio. Nem o vento soprará com violência ou a chuva cairá com força, pois poderiam bater na copa das árvores e provocar alvoroço. Hoje, não tem som. Nenhum anúncio levantará a voz ou a locução do rádio postará qualquer mensagem em descompasso rítmico sonoro.
Não há música, reza, discurso, falatório ou poluição sonora. Niguém grita, a porta não emite ruído, a buzina não toca, o galo não canta, o músico não rege, o trem não apita. Enfim, a vida pára.
Escrito por Wilton Garcia às 20:28
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