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Wilton Garcia
 


Feira (montagem, 2009)


Invadir

Diante do absurdo movimento de penetrar nas águas do rio acima, voltei meus olhos para te ver e nem assim conseguir suportar a luz do sol sobre o rosto. Algo de diferente poderia tentar parar aquela estranha sensação de dizer como a vida caminha em rastros e pistas molhadas pela chuava forte, que veio logo em seguida à sua partida. Embora, ninguém fez nada!

Tudo aconteceu muito rápido, e eu, em desatino, não pude dizer sequer uma palavra direto para o jovem que me observava, o tempo todo, em pé na calçada junto ao ponto de ônibus da região leste.

Havia uma mulher sentada na porta da casa. Ela também esperava que alguém viesse falar qualquer coisa para uma conversa gostosa, em que os sopros do vento ajudassem na plenitude serena de um fim de tarde. Porem, com a invasão de insetos, ela correu para dentro de casa.

As contas ainda precisavam ser pagas por ele!



Escrito por Wilton Garcia às 20:12
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Pensares

Envolto ao desafio de decidir sobre as escolhas mais (cor)retas/adequadas, ele alterou nosso destino, visto que fez a conversão do carro para a direita como quem dobra a esquina, rapidamente, e não percebe o farol desligado. Assim, a conversão tranformou-se em uma passagem tão corriqueira ao associair os deslocamentos espaciais em um plano virtual, cujo sabor dos códigos cheiravam a fio queimado em um rotina profissional de abastecer o mercado complexo da cidades vizinhas à metrópole.

Além disso, há o som estridente do telefone celular. De tanto gritar pelo interfone, consegui pedir que ele parasse com aquela forma desordenada de dirigir às coisas na procura de festejar uma vitória que ainda não ganhou. E pior, sem reconhecer se venceu de fato.

A convergência das mídias em cultura digital?



Escrito por Wilton Garcia às 14:21
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saúvas digitais (desenho digital, 2009)


  Atenção!

 O que me merece maior atenção senão a vida quente que hora chove, hora gela e a estrada vai surgindo ao longo da caminhada entre as ramificações da telefonia e o acesso imediato do ciborg ao deixar o pão de forma cair sobre o tapete vermelho da sala dela. Angustia preferiu não comentar mais que um leve aceno com os olhos para a empregada limpar novamente. Gesto tosco!

Essa última ficou atormentada com tamanha falta de delicadeza do garoto franzino que jogava futebol entre a varada e a lateral da casa vizinha, sem que alguém sequer pudesse perceber o beijo roubado no jardim de rosas amarelas, diante das saúvas digitais e outros filhotes de cruz-credo. Nada poderia deter aquela insanidade diante dos meus olhos que assitia perplexo o vazio da estrelas.

Pensei que fosse viajar sozinha e sem dirigir nenhum recado à Marinalva, que brincou violentamente comigo na porta da igreja de São Francisco. Ela estava atrás do padre para celebrar um ritual high tec junto com o robô que emplacava um último registro de suspiro para dar lugar ao andrógino da esquina. Será ele o personagem sa mini-série da TV? Vc o viu? Consegue reconhecer? 



Escrito por Wilton Garcia às 18:44
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Enunciações de Primavera

Há momento em que me sinto instigado a olhar pela janela e desejar dizer o que penso. No entanto, prefiro não comentar o azedo da terra.

Então, imagine acordar as quatro da manhã com a preocupação intensa para revisar 216 páginas de um manuscrito científico coberto de rasuras, equívocos, citações inacabadas e ideias para serem completadas. O autor de hoje se deu o luxo de brincar de escola e se permite esquecer das palavras, tal qual não aperta JAMAIS a mão do porteiro do prédio da esquina, com medo de pegar a gripe suina ou Aids.


Imagine, então, eu ficar gripado sem sair de casa, com tanta coisa a fazer. Me vejo preso por uma caneta big (azul) junta ao enorme pedaço de papel pardo - entre o telefone, o computador e o compromisso de não deixar passar a data da publicação que muitos esperam. Entre fios de telefone, o copo d'água, a cadeira que não gira direito, a noite mal dormida parece não ter fim. Existe, assim, a insana bobagem de achar que isso seria em prol de mais um feito.


A vida vai raiando - sem sol na manhã paulistana que deixa o frio gelado bater na cortina - e a gente vai curtindo como pode aquele som pequeno de fundo, que urge da radiola da vizinha vovó: é o rei Roberto Carlos cantando o embalo de "Eu te amo". Seria mesmo uma declaração de amor, ornada por repetidas badaladas de um relógio.


Com isso, ora aparece apenas o convite sem confirmação ou ora se destaca, sem dor, o desafio público da burocracia do governo. Parece que não há mais tempo nem espaço para se viver quieto na Metrópole?! A coisa está esgotada pela máxima relação com banqueiros, empresários e governantes e a gente pede pra sair, para querer pensar e só consegue, de fato, perder de vista um sopro mínimo de dizer em boa sonata caliente:

Hello baby, good morning. Let´s fuck?!



Escrito por Wilton Garcia às 10:50
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MwwwMwwwMwwwMwMwMww

apagar incêndio

Arriscar um raio de luz sobre as plantas desgovernadas entre arcos verdes e flores repostas no Jardim de Alá.

Como procurar você entre quatro paredes, se já não seria mais possível relacionar amor e/ou amizade diante dos fios de cabo de aço que soltam faiscas vermelhas em brasa ao meio da tarde de chuva forte sem niguém chamar por socorro de imediato. Ele esteve lá quando precisei de ajuda!

Mesmo além da clareira, há um homem na espreita. Aguarda o retorno daquele beijo danoso ao provocar dificuldades para fazer valer o desafio entre mistério e imcomprensão, perante a atitude de sozinho poder clamar pelo segredo com a aguarda no caderno de desenho. Jamais alguém soube o nome exato ou, até mesmo, a mistura sagrada produtora do inebriante perfume de rosas secas.

 

 



Escrito por Wilton Garcia às 16:06
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Epifania

Surgiu de repente!

Parece uma luz porque chama muito a atenção, mas de fato é uma epifania: algo que espande o sentido do respirar. A vida parece tornar-se mais lenta, quando alguém é afetado por esses espamos epifânicos. Muda-se de figura. Muda-se a rotina. Subjulga-se uma alteração quase que indescritível, se não fosse a lembrança "perfeita" e, agora, refeita por sua memória.

Talvez pudesse ser visto/lido como provocação: as coisas na cabeça começam a se debater com mais precisão do que o comum. Um rosto, uma imagem, um fato. Algo que causa impacto e tira o chão, como buscar uma "verdade" imediata. Um labirinto solto nas palavras, na visão. Uma gostosa sensação de aproximar do ato inefável - de qualquer intocável ilusão. Uma irradiação atroz em pulsos que "mexem" com a gente!

Parei na esquina da contra-mão pra não ver, tão de perto, o sinal vermelho clarear sua pele de batom lilás. Ela vestia preto ao chegar mais cedo ao baile. Assim, pode contar à amiga sobre sua primeira mestruação in vitro - o empírico investimento científico da classe.  O tubo do laboratório estava firme quando escorregou aquelas poucas gotas de sangue (vermelho carne) ao mar a dentro.

Um tubarão veio depressa pensando que fosse carne fresca demais para ativar a agradável sensação de bem-estar. Quieto, o público assistia o espetáculo do aquário gigante instalado na cidade de Santos para os turistas que visitassem no festival de verão, (re)vivendo as ousadias do fundo do mar aberto aos peixes grandes. Aquilo parecia uma armadilha pra pegar bandido solto no calor da madrugada de fevereiro de 1947.

O que "mexe" com vc?



Escrito por Wilton Garcia às 14:03
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Ler ao Mar

Como no rosto brando, surge uma flor da areia.
Serena, ela sereia
Fica na espreita encantada ao vento do luar
Aguarda o polvo que foi banhar nas terras de Araripe.
Quem sabe, essa imagem possa mostrar um pouco o leito escuro (acadêmico e/ou intelectual)
e o embalo das ondas que sua tumba vermelha mexe...
Beirute, Beirute
O chão já não parece tão seguro para deslizar os cabelos de Janaina.
Eles curvam sobre as malhas do espelho d'água
a clamar pelo raio do sol que se esconde
em nervos
atrás das nuvens brancas.
Parece algodão.
Boa leitura!
(com ou sem razão)
Eis, assim, nossa troca de segredos.



Escrito por Wilton Garcia às 16:27
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OPORTUNIDADE

Não gosto de achar que oportunidade se perde. Perde quem não tá afim, não tem interesse. Pois, para esse frágil insucesso, oportunidade deve ser, talvez, um bicho-papão que fica atrás da porta esperando a virgenzinha pular na rede. Nunca espere do outro o que está em vc!

A conquista de qualquer espaço deve ser feita pela batalha, seja no trabalho, na pesquisa ou, até mesmo, no amor. Admito que nem sempre isto é possível, por isso, luto desesperadamente para conseguir competir com seriedade e qualidade. É agir na certeza de um ato voraz e constante. Seria mandar ao Universo uma resposta muito mais saborosa do que ele próprio oferece. É preciso puxar o carro, abrir caminhos e partir...

Acredito naquele que batalha, de fato. O guerreiro que briga, luta, busca, enfrenta.

Pau para quem não consegue articular, porque deixa ser fraco demais e começa admitir sua incapacidade imprecisa com as coisas no mundo. Feio é ficar parado, de boca aberta, aguardando o sangue ser derramado. Um derrotado. Este será um mero coadjuvante diante das transformações humanas. Assumiu ser platéia e não quer garantir sua expressão. Um coitado, mas que nem tenho dó. Porque não é bom ficar olhando muito esse tipo de imagem desequilibrada. Vc, é assim?

 



Escrito por Wilton Garcia às 18:20
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 Master (desenho, 2009)


Da cultura digital

As transformações feitas pela hipermídia articulam-se perante a relação objetal entre a arquitetura virtual e o espaço imersivoSão instâncias complexas que, por embatimentos, se complementam. Uma cartografia labiríntica aciona vestígios instrumentais, em que o deslocar do usuário/interator se (re)faz por navegação e interatividade na cibercultura.

Mais que modificar o cotidiano do internauta, tais transformações tornam-se imperativos, ditando um modo de viver diferenciado. A rede mundial de computadores, por exemplo, convoca o usuário/interator para realizar uma visita virtual ao mundo fantasioso das possibilidades - ineretes ao desejo. Vc pode?

Metaforicamente exposta pela Internet, a vida digital transcreve uma informatização, cujos dados são (inter)medidos por número – código binário 0 e 1. Neste caso, é crescente o número de pessoas que usam a Internet para várias atividades, tais como: comunicar, pesquisar, brincar, fazer compras, etc.

Neste bojo, para onde vai o norte?



Escrito por Wilton Garcia às 20:14
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(R)enunciações

Será que, de fato, há um temor sobre a diversidade?

Penso nas profundas relações que podem ter quando alguém te olha pelo reflexo do espelho do armário de banheiro numa estação de trem, na pacata cidade do interior gaúcho.  Um jogo de intensificações desafiadoras...

Ele alto, olhos verdes e mão grande (como o resto de corpo) paira sobre a mira de meus olhos num surfar em maré cheia de arrolhos foscos sem trincheiras. Onda de ataques vertiginosos na estiva da beira do porto, em um bar velho que vende caldo verde: que queima a boca do estômago numa manhã de terça-feira cinzenta.

Não evitaria retribuir um sorriso diante do encontro de olhares que mostram as curvas doces da face humana, com o ar provocador de enigma. Quem estaria ali dependurado  mofando de preto? Ou talvez, a pedra que marca quando ele surgie novamente carregando as botas pretas sobre o ombro forte, porém quebrado pelo apito da fábrica de roupa íntima.

Do corpo ao corpo, um tom maior pode abrigar aquela delícia de sonho, que quando acordado parecia uma silhueta selvagem da mulher de cordas na mão direita, junto ao pedestal de prata e mármore solto pela rua abaixo. Na janela: renuncio!



Escrito por Wilton Garcia às 13:12
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Entrevista

Chamei Bethânia para uma entrevista. Ela pensou que fosse brincadeira, mas eu estava realmente fascinado com a possibilidade de falar sério. Era uma tomada de decisão necessária.

Se música é perfume, quero seu (en)canto e flor na batida do som poético. Porque hoje ouvir e cantarolar com o mp4 pode.

Não demorou muito e recebi outro telefonema confirmando o compromisso. Nunca pensei que pudesse ser tão ágil.

Porém, aos poucos, percebeci que a voz tremia com um tom nada convincente. Fiquei com aquilo parado entre os dentes e a cabeça, com medo do que pudesse acontecer aos cachorros. Convoquei imeditamente o guarda, que estava multando o carro batido. Parecia uma cena de cinema!

Seria demais achar que ela poderia pelo o menos me responder? Um toquinho já valia a pena. Voltei para casa abatido com tamanha propriedade que ele falava ao celular. Nada de paixão, somente um assobio desagradável gritava para que tudo pudesse pairar sobre o vento azul do rio que corta a cidade em dia de chuva forte.



Escrito por Wilton Garcia às 17:13
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Oxum (imagem scanneada, cor, 2009)


A força em força!

 Em atos que tocam a diversidade, gosto de me deliciar com as tecnologias associadas ao banho de Oxum. A cultura digital evoca artimanhas...

Uma ar (re)corrente me absorve entre cultura e extensão corporal para pensar a diversidade, estrategicamente, como reiteração discursiva. Nalgum momento, surge um homem deitado sobre os braços de outro - como a madona que cuida do filho. E não quero final trágico com cenas violentas. O desfecho deve possibilitar a completude do afeto.

Se a cena insinua segredos e místérios é melhor se prepaprar. Um ser frágil sempre está à procura de um amor na vida (Eros), ao retratar a união. Por parte de quem julga, é (re)conhecer esse amor, conduzindo  uma ação afirmativa em prol da diversidade humana. Ou seria o medo, o pavor, de lidar com a imagem da felicidade? E olha que, aqui, nada é ou está invertido!

As inquietações são muitas e é preciso ser maleável para indagar as propriedades de tais agudezas. Neste fluxo, sugiro uma postura provocativa e desafiadora para a afetividade. É sentir no Outro a capacidade de relacionar – como dado comunicacional de uma natureza transideológica, em uma suspensão filosófica sem gerar desconfortos.

Busco, incondicionalmente, a delicadeza de uma política do afeto: a voz sofisticada que pulsa a acuidade magistral e fascinante, encantada pelo deleite de assinar uma qualidade inventiva.

Seria uma projeção identificatória que aproximaria e alicerçaria as relações humanas?

 

 



Escrito por Wilton Garcia às 12:10
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Folhas (montagem, cor, 2009)


Ornamentos da vida

Eis algumas inquietações: quando será que a gente vai deixar de prestar atenção apenas no consumo e na tecnologia em prol da vida humana? Largar as máquinas e propor o desafio de olhar verdadeiramente nos olhos alheios? Quando será possível deixar de calcular o lucro e passar a dividir a alegria com o Outro ao curtir a felicidade? Ou seria ingenuidade achar que isso é possível?

Depois que todos forem mortos, então, não sobrará mais nada. Você ficará sozinho, porque permitiu que isso acontecesse e não teve atitude proveitosa para tocar a sensibilidade do Outro. Ou será que esse Outro pra você não mais existe em razão do capital? Salvamos os documentos no computador e esquecemos de salvar as relações humanas?

E se o sol bater na janela do quarto, pense que alguém pode chamar por você clamando ajuda. Não reclame, pois nem seria um grito de desespero, mas simplesmente o afeto que você pode doar para qualquer um.  O eco da voz vibrante pede socorro sofrido, embora a alegria do seu sorriso provocará uma estado letárgico de compensações. Isso deixa de ser dado provisório para penetrar na comunhão que fortalece. Aproximar, sentir e tocar faz parte da vida.

Fale uma coisa bacana que possa, de fato, permear a qualidade de SER e ESTAR e não espere uma resposta imediata. Olhe para você. Trate de se soltar mais e respirar. Tente caminhar junto para que o Outro possa, também, seguir bons passos; como quem projeta um estágio intermediário entre essa e aquela condição futura - de prosperidade.

A imagem que ressalto (ornamento) já aconteceu contigo?



Escrito por Wilton Garcia às 11:43
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Bota (desenho digital, 2009)


Avaliação do ar

Gostaria de avaliar o outro como quem pede licença para avaliar a vida. Mas seria impossível tal escopo diante de tamanha exaustão entre o freio do carro de boi e a cartola que ele queria pegar no alto do poste.  Me ver refletido naquele espelho d'água era uma sensação engraçada, estranha. O avesso da alma cerca uma pulsão refinada com o desavistado pela mãe do guarda de trânsito. Meu Deus, onde foi parar essa maldita língua que não fica quieta. Soltei um sorriso ao vê-lo na porta da sala.

 Talvez seria a calça jeans de um azul brando para ela achar que estávamos dividindo aquele pequeno sanduíche de pão com pão. Nada de metade, nem pensar! Claro que niguém poderia adivinhar sobre essas coisas que não se fitam na casa de Dona Bertolina. Ela, mulher elegante de quase 80, procura marido na noite de lua minguante para apertar os fios da geladeira velha.

O flerte aparece no momento da fala histórica em que o músico tocava a valsa de Maria Bethania e eu ali parado esperando ele me tirar pra dançar. Sem graça, o par ao lado soltou um sorriso amargo, apenas para acomodar o almoço servido no jardim daquel palácio, sem nenhum requinte ou emblema poético.



Escrito por Wilton Garcia às 22:15
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Coisa (desenho digital, 2009)


Extensões

 A extensão amplia, complementa, distorce, partilha!

Uma modulação estruturante se (re)faz e se atualiza diante das marcas (inter/trans)textuais criativas que a(di)cionam o saber compartilhado em extensões. Penso nos desafios de saberes que tentam, de alguma maneira, ampliar as resultantes e suas variáveis. É um ato de intermediar a fantasmática do "como se fosse", para além de um mero resultado previsível com a novidade recorrente, oportuna, que demonstra "nova/outra" significação emergente.

Uma coisa aparece no meu caderno de anotações como traço poético feito de caneta azul. Descrevo como uma bolha engraçada, redonda, em formato quase circular e sem retas. Solta, ela descansa numa pose que instaura o bichinho em sua completa plenitude - de cabeção. Talvez, seja elemento orgânico que afina meu olhar sobre vestígios íntimos que vasculham e exploram a maleabilidade dessa representação visual. Ou, também, pode ser a expressão de um espírito que se manifesta quando quer. A ilustração permite brincar, combinar e exemplificar uma flexibilidade necessária de deslocamentos para abordar o elemento lúdico, ao mesmo tempo comunicacional. É uma pequena estratégia discursiva para compor a mensagem que se estende sobre o leitor/interator.

 Diante disso, torna-se relevante avançar com a possibilidade de representar sistematicamente a façanha das tecnologias de informação; agora, abarcada pelo (des)envolvimento do mercado e do pensamento contemporâneo. Para atualizar a informação, o futuro digital reconfigura imagens e textos, cujos aparatos instrumentais/ferramentais não conseguem equacionar a própria produção do conhecimento. Trava-se a dinâmica argumentativa/reflexiva da comunicação em diálogo com a educação. O que queremos para o processo de ensino-aprendizagem?

 

 



Escrito por Wilton Garcia às 10:59
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