Não gosto de achar que oportunidade se perde. Perde quem não tá afim, não tem interesse. Pois, para esse frágil insucesso, oportunidade deve ser, talvez, um bicho-papão que fica atrás da porta esperando a virgenzinha pular na rede. Nunca espere do outro o que está em vc!
A conquista de qualquer espaço deve ser feita pela batalha, seja no trabalho, na pesquisa ou, até mesmo, no amor. Admito que nem sempre isto é possível, por isso, luto desesperadamente para conseguir competir com seriedade e qualidade. É agir na certeza de um ato voraz e constante. Seria mandar ao Universo uma resposta muito mais saborosa do que ele próprio oferece. É preciso puxar o carro, abrir caminhos e partir...
Acredito naquele que batalha, de fato. O guerreiro que briga, luta, busca, enfrenta.
Pau para quem não consegue articular, porque deixa ser fraco demais e começa admitir sua incapacidade imprecisa com as coisas no mundo. Feio é ficar parado, de boca aberta, aguardando o sangue ser derramado. Um derrotado. Este será um mero coadjuvante diante das transformações humanas. Assumiu ser platéia e não quer garantir sua expressão. Um coitado, mas que nem tenho dó. Porque não é bom ficar olhando muito esse tipo de imagem desequilibrada. Vc, é assim?
As transformações feitas pela hipermídia articulam-se perante a relação objetal entre a arquitetura virtual e o espaço imersivo. São instâncias complexas que, por embatimentos, se complementam. Uma cartografia labiríntica aciona vestígios instrumentais, em que o deslocar do usuário/interator se (re)faz por navegação e interatividade na cibercultura.
Mais que modificar o cotidiano do internauta, tais transformações tornam-se imperativos, ditando um modo de viver diferenciado. A rede mundial de computadores, por exemplo, convoca o usuário/interator para realizar uma visita virtual ao mundo fantasioso das possibilidades - ineretes ao desejo. Vc pode?
Metaforicamente exposta pela Internet, a vida digital transcreve uma informatização, cujos dados são (inter)medidos por número – código binário 0 e 1. Neste caso, é crescente o número de pessoas que usam a Internet para várias atividades, tais como: comunicar, pesquisar, brincar, fazer compras, etc.
Será que, de fato, há um temor sobre a diversidade?
Penso nas profundas relações que podem ter quando alguém te olha pelo reflexo do espelho do armário de banheiro numa estação de trem, na pacata cidade do interior gaúcho. Um jogo de intensificações desafiadoras...
Ele alto, olhos verdes e mão grande (como o resto de corpo) paira sobre a mira de meus olhos num surfar em maré cheia de arrolhos foscos sem trincheiras. Onda de ataques vertiginosos na estiva da beira do porto, em um bar velho que vende caldo verde: que queima a boca do estômago numa manhã de terça-feira cinzenta.
Não evitaria retribuir um sorriso diante do encontro de olhares que mostram as curvas doces da face humana, com o ar provocador de enigma. Quem estaria ali dependurado mofando de preto? Ou talvez, a pedra que marca quando ele surgie novamente carregando as botas pretas sobre o ombro forte, porém quebrado pelo apito da fábrica de roupa íntima.
Do corpo ao corpo, um tom maior pode abrigar aquela delícia de sonho, que quando acordado parecia uma silhueta selvagem da mulher de cordas na mão direita, junto ao pedestal de prata e mármore solto pela rua abaixo. Na janela: renuncio!
Chamei Bethânia para uma entrevista. Ela pensou que fosse brincadeira, mas eu estava realmente fascinado com a possibilidade de falar sério. Era uma tomada de decisão necessária.
Se música é perfume, quero seu (en)canto e flor na batida do som poético. Porque hoje ouvir e cantarolar com o mp4 pode.
Não demorou muito e recebi outro telefonema confirmando o compromisso. Nunca pensei que pudesse ser tão ágil.
Porém, aos poucos, percebeci que a voz tremia com um tom nada convincente. Fiquei com aquilo parado entre os dentes e a cabeça, com medo do que pudesse acontecer aos cachorros. Convoquei imeditamente o guarda, que estava multando o carro batido. Parecia uma cena de cinema!
Seria demais achar que ela poderia pelo o menos me responder? Um toquinho já valia a pena. Voltei para casa abatido com tamanha propriedade que ele falava ao celular. Nada de paixão, somente um assobio desagradável gritava para que tudo pudesse pairar sobre o vento azul do rio que corta a cidade em dia de chuva forte.
Em atos que tocam a diversidade, gosto de me deliciar com as tecnologias associadas ao banho de Oxum. A cultura digital evoca artimanhas...
Uma ar (re)corrente me absorve entre cultura e extensão corporal para pensar a diversidade, estrategicamente, como reiteração discursiva. Nalgum momento, surge um homem deitado sobre os braços de outro - como a madona que cuida do filho. E não quero final trágico com cenas violentas. O desfecho deve possibilitar a completude do afeto.
Se a cena insinua segredos e místérios é melhor se prepaprar. Um ser frágil sempre está à procura de um amor na vida (Eros), ao retratar a união. Por parte de quem julga, é (re)conhecer esse amor, conduzindo uma ação afirmativa em prol da diversidade humana. Ou seria o medo, o pavor, de lidar com a imagem da felicidade? E olha que, aqui, nada é ou está invertido!
As inquietações são muitas e é preciso ser maleável para indagar as propriedades de tais agudezas. Neste fluxo, sugiro uma postura provocativa e desafiadora para a afetividade. É sentir no Outro a capacidade de relacionar – como dado comunicacional de uma natureza transideológica, em uma suspensão filosófica sem gerar desconfortos.
Busco, incondicionalmente, a delicadeza de uma política do afeto: a voz sofisticada que pulsa a acuidade magistral e fascinante, encantada pelo deleite de assinar uma qualidade inventiva.
Seria uma projeção identificatória que aproximaria e alicerçaria as relações humanas?
Eis algumas inquietações: quando será que a gente vai deixar de prestar atenção apenas no consumo e na tecnologia em prol da vida humana? Largar as máquinas e propor o desafio de olhar verdadeiramente nos olhos alheios? Quando será possível deixar de calcular o lucro e passar a dividir a alegria com o Outro ao curtir a felicidade? Ou seria ingenuidade achar que isso é possível?
Depois que todos forem mortos, então, não sobrará mais nada. Você ficará sozinho, porque permitiu que isso acontecesse e não teve atitude proveitosa para tocar a sensibilidade do Outro. Ou será que esse Outro pra você não mais existe em razão do capital? Salvamos os documentos no computador e esquecemos de salvar as relações humanas?
E se o sol bater na janela do quarto, pense que alguém pode chamar por você clamando ajuda. Não reclame, pois nem seria um grito de desespero, mas simplesmente o afeto que você pode doar para qualquer um. O eco da voz vibrante pede socorro sofrido, embora a alegria do seu sorriso provocará uma estado letárgico de compensações. Isso deixa de ser dado provisório para penetrar na comunhão que fortalece. Aproximar, sentir e tocar faz parte da vida.
Fale uma coisa bacana que possa, de fato, permear a qualidade de SER e ESTAR e não espere uma resposta imediata. Olhe para você. Trate de se soltar mais e respirar. Tente caminhar junto para que o Outro possa, também, seguir bons passos; como quem projeta um estágio intermediário entre essa e aquela condição futura - de prosperidade.
A imagem que ressalto (ornamento) já aconteceu contigo?
Gostaria de avaliar o outro como quem pede licença para avaliar a vida. Mas seria impossível tal escopo diante de tamanha exaustão entre o freio do carro de boi e a cartola que ele queria pegar no alto do poste. Me ver refletido naquele espelho d'água era uma sensação engraçada, estranha. O avesso da alma cerca uma pulsão refinada com o desavistado pela mãe do guarda de trânsito. Meu Deus, onde foi parar essa maldita língua que não fica quieta. Soltei um sorriso ao vê-lo na porta da sala.
Talvez seria a calça jeans de um azul brando para ela achar que estávamos dividindo aquele pequeno sanduíche de pão com pão. Nada de metade, nem pensar! Claro que niguém poderia adivinhar sobre essas coisas que não se fitam na casa de Dona Bertolina. Ela, mulher elegante de quase 80, procura marido na noite de lua minguante para apertar os fios da geladeira velha.
O flerte aparece no momento da fala histórica em que o músico tocava a valsa de Maria Bethania e eu ali parado esperando ele me tirar pra dançar. Sem graça, o par ao lado soltou um sorriso amargo, apenas para acomodar o almoço servido no jardim daquel palácio, sem nenhum requinte ou emblema poético.
A extensão amplia, complementa, distorce, partilha!
Uma modulação estruturante se (re)faz e se atualiza diante das marcas (inter/trans)textuais criativas que a(di)cionam o saber compartilhado em extensões. Penso nos desafios de saberes que tentam, de alguma maneira, ampliar as resultantes e suas variáveis. É um ato de intermediar a fantasmática do "como se fosse", para além de um mero resultado previsível com a novidade recorrente, oportuna, que demonstra "nova/outra" significação emergente.
Uma coisa aparece no meu caderno de anotações como traço poético feito de caneta azul. Descrevo como uma bolha engraçada, redonda, em formato quase circular e sem retas. Solta, ela descansa numa pose que instaura o bichinho em sua completa plenitude - de cabeção. Talvez, seja elemento orgânico que afina meu olhar sobre vestígios íntimos que vasculham e exploram a maleabilidade dessa representação visual. Ou, também, pode ser a expressão de um espírito que se manifesta quando quer. A ilustração permite brincar, combinar e exemplificar uma flexibilidade necessária de deslocamentos para abordar o elemento lúdico, ao mesmo tempo comunicacional. É uma pequena estratégia discursiva para compor a mensagem que se estende sobre o leitor/interator.
Diante disso, torna-se relevante avançar com a possibilidade de representar sistematicamente a façanha das tecnologias de informação; agora, abarcada pelo (des)envolvimento do mercado e do pensamento contemporâneo. Para atualizar a informação, o futuro digital reconfigura imagens e textos, cujos aparatos instrumentais/ferramentais não conseguem equacionar a própria produção do conhecimento. Trava-se a dinâmica argumentativa/reflexiva da comunicação em diálogo com a educação. O que queremos para o processo de ensino-aprendizagem?
Explorar a noção de fronteira requer absorver as nuanças dos limites inscritos em um território, em que certos traços socioculturais podem destacar as extremidades de um campo. Os contornos fronteiriços (intrínsecos e extrínsecos) de imagem e/ou objeto tornam-se delineadores de um tempo-espaço ocupado, cujo desafio é demonstrar sua manifestação, desde o início até o fim. Será que isso é pertinente quando a transversalidade aparece?
As propriedades da fronteira permitem reconhecer o estreito contato, o encontro, a mistura de possíveis territórios, ainda que esse último venha expressar uma carga afetiva. Antes porém, nesse contexto discursivo da representação, estrategicamente a fronteira deve ser encarada como conjunto de pontos/situações limítrofes, ao organizar as marcas peculiares de um enunciado. Veja o que você diz e como diz. Portanto, ao enveredar pelas malhas do discurso - cada vez mais sincrético - na cultura digital, observo a delimitação conceitual de fronteira como recorte de estudos emergentes. O que (re)configura a condição adaptativa de um entre-lugar, espaço da (inter)subjetividade.
A pluma ainda estava na cabeça dela quando a turma chegou. Eles entraram de uma vez, sem falar nada. Não havia segredo ou intimidade que pudesse esconder o descortinar de tal presença inospita. O que será que ele estava fazendo com aquilo bem no centro da testa? Ou será que alguém não conseguiria reconhecer, imediatamente, a tamanha surpresa que todos ficaram com a cena? No banho de lua, a mata cresceu com furia e sem distinção. Foi numa única tacada. Ele pensou em pedir perdão, mas não havia sequer motivo para estranha posição. Então, era bom não tocar no assunto. Só o acaso podia socorrer as veredas do encanto que trazia sua mágica semelhança indigena. Puro truque, de quem ressurge como camaleão. A coisa parecia séria demais para não se ampliar os conflitos da comunidade... De um lado, sua história tida como verdade passível, do outro a recepção amarga. Tudo televisão!
As tecnologias emergentes convidam à sociedade contemporânea adequar-se às novidades. Essa situação requer uma reflexão crítica. Penso nas transformações tecnológicas que culminam em inovações. Porém, é preciso ter cuidado e ponderar julgamentos coerentes acerca de benefícios e malefícios.
Cada vez mais, testemunha-se a variedade de dispositivos digitais lançados no mercado de consumo como aparelhos dinâmicos – a serviço da realidade globalizada. Ou seja, no Brasil e no mundo, não faltam enfrentamentos e desafios para serem travados e rebatidos com as chamadas extensões pós-orgânicas. Isso pode ser aberrações efêmeras!
O pós-orgânico é lugar de passagens conceituais, em que não se tem apenas um corpo biológico, mas sua representação tratada midiaticamente. Falo de um corpo que retira do orgânico a pulsação e se transpõe à comodidade de uma mera manifestação figural – imagem pública.
É um equívoco confundir uma imagem corporal e com o corpo, o qual não se instala de fato. Neste caso, confundi-se o corpo de uma atriz ou uma modelo na passarela de moda com uma garota na avenida. Ficção e realidade se tocam, no entanto, são diferentes. O corpo preparado para ser espetacularizado não pode ser visto/lido como o do cotidiano massivo. E acrescento: o do atleta é preparado exclusivamente para uma performance esportiva. O desempenho sociocultural depende de sua proposição corporal.
Um grupo de jovens universitários tomava caipirinha num animado quiosque bem próximo do calçadão da praia. Fim de festa noturna e começo de uma virada celebrativa para comemorar o aniversário de Janaina. De pranto à encanto, eles cantavam, dançavam comiam e bebiam. Enfim, se divertiam.
Era meio-dia e o sol brilhava mesmo pra valer. Um intenso calor projetado ao céu azul misturava com a luz incandescente de um abafado sol quente. Confesso que foi um dia estranho para ser primavera, em tom de efervescente de verão: misto de vento, chuva e trovoada que se anunciaram na madrugada anterior.
Na praia, ela brincava com as duas crianças construindo um castelo de areia ao aguardar o marido com os refrigerantes. De um lado, uma senhora de chapéu-de-palha oferecia um pouco de sombra com seu corpo grande (pra não dizer, gordo). De outro, o barulho das águas lançava um tom ensurdecedor que arrebatava-se em uma monte de pedras perto dali.
Nada de calmaria podia prever o inevitável acontecimento de mudança climática da natureza na agitada praia de maripe, onde os pescadores remavam seus barcos simples à vela...
Como um soco forte no estômago, a maré subiu repentina. Tudo aconteceu rápido demais para ser verdade! Sem ninguém perceber, o mar invadiu a praia em um único golpe numa onda gigante que ao afastar-se dali levou comida, bebida, brinquedos, cadeiras, sombrinhas, pessoas, criança, gente.
Era uma resposta da lua cheia que proporcionou a procura desenfreada por pedaços de imagens, fragmentos que pudessem registrar e/ou afirmar o que havia acontecido. Quase um Tsunami passou por ali. Será? Marca-se um fenômeno natural que expande as consequencias de viver o bem-estar familiar num dia de domingo em plena regozijo de prazer, dor e sofrimento. Nesta hora, o susto imperou.
É da palavra a impressão gráfica e editorial que se faz as coisas e o mundo. Ambos são e estão no contento do verbal. Copiar, recortar, colar, hoje, faz parte do show. Há pertinência na edição de um texto para a composição redacional adequada, eficiente. A máxima da criação, sobretudo com a tecnologia digital, está na expectativa de propiciar um diferencial criativo. Algo que expande, amplia e dá um "novo/outro" contexto representacial (inter)subjetivo. Num turbilhão de orações, frases, sentenças e parágrafos, organizam-se idéias, mensagens, códigos, memórias. Embora mídia e mercado procuram (emprestado do design) o princípio da síntese: escrever o máximo no mínimo. A experiência verbal (inter)media a possibilidade diversificada entre narrar, descrever, dissertar - são modos de escritas distintas, porém complementares. Por isso, a disposição dos argumentos de um (inter)texto torna-se potente diante do verbo que se verbaliza e a escritura se vê/lê recorrente do esforço de manifestar qualquer pensamento: expressão codificada.
A passagem da imaginação à tecitura (na tessitura) da palavra convoca uma dinâmica aflita com a palavra. Nada pode conter a excelência do verbo em si!
A lógica do texto poético ou em prosa evoca e estimula a significação de resultados, numa tradução intersemiótica. A partir da palavra ressalta-se a cena ao destacar voz, gesto, escrita, som e imagem. Busquei na mata o tom enigmático de Guimarães, mas me perdi entre as pedras no caminho de Drummond. Talvez pudesse ser a trilha que mostra o Rio de João Cabral ou a praia cabocla de Caymme. Quem sabe, até mesmo, o retrato de uma família falida ou, ainda, fazenda São Bernardo com o feito grotesco do coronel. Do sonho de Helena ao devaneio de Lara, o desejo se rebate em cenas indescritíveis. Paradoxalmente, o inefável emerge, aparece. Assim, tudo pode acontecer quando as articulações do vocábulo tomam forma.
É preciso deixar que o som se apague como o fino limite das gotas das folhas que caem das plantas. Será a fresca do orvalho? Ou Talvez, o barulho das ondas do mar não possa dizer mais que uma tom impactante. Porque não deve haver nenhum tipo de sonoridade que abasteça os ouvidos. Nada será ouvido. Desligue o telefone celular e não deixe a porta do carro bater forte, para não projetar qualquer coisa estridente. Nada de som mesmo! E, quando alguém solicitar que a música continue, diga que agora só pode o silêncio. Nem o vento soprará com violência ou a chuva cairá com força, pois poderiam bater na copa das árvores e provocar alvoroço. Hoje, não tem som. Nenhum anúncio levantará a voz ou a locução do rádio postará qualquer mensagem em descompasso rítmico sonoro.
Não há música, reza, discurso, falatório ou poluição sonora. Niguém grita, a porta não emite ruído, a buzina não toca, o galo não canta, o músico não rege, o trem não apita. Enfim, a vida pára.
Imagine apreender a imagem: nada de fotografia, desenho, pintura, gravura, infografia ou outro código imagético?
Apenas foi lançado o espaço da palavra - sem alternativas. Nada de linguagem sincrética nem misturas expressas em uma lógica formal da escritura. Grau zero para a imagem - reprovação. As formas podem ser editadas, porque hoje não há vestígios visuais. Feche os olhos, porque não será permitido ver. Somente a ordem do verbo (ou do som) poderá ajudar na constituição da representação. Seria o limite? a fronteira? É tentar apagar a sensação de dependência visual, pois pretende-se retraduzir (reconduzir) o código intersemioticamente. Agora, decretou-se que não haverá aqui imagem para dissipar a mensagem. Neste caso, é preciso refletir sobre o meio, o suporte, o dispositivo. Tudo muito brando e seco erguerá a perspectiva instaurada: hoje não tem imagem.
E se, por acaso, alguém pedir flores, elas precisam ser descritas por escrito: na pecularidade de quem sente, remexe, descreve e anota a simbiótica simbologia do termo. Equaciona-se a condição adaptativa de (re)pensar sua estrutura genética, equiparada entre o caule, as pétalas, a cor e, até mesmo, o cheiro. Porque hoje não tem imagem!
Imaginei ele forte sentado ao lado de uma pedra perto de uma grande cachoeira. Um homem que mora na pedreira e vence a vida guerreira das injustiças. Era um momento mágico que eu podia observá-lo apenas de longe. Seria, talvez, uma distância segura para ele ficar à vontade, em seu manto. Fiquei na espreita! Num gesto magnífico, ele se debruçou sobre a mata para buscar conforto. Quem sabe estive cansado de atenter tantos pedidos de socorro, já que era jovem demais para tamanha responsabilidade e desafio. Estava sozinho, nesta clareira alva e mansa, que me (re)cobria numa enchente turva de arrepios e trovoadas - de chamas em bravas brasas de fogo quente. Tudo parecia mágico demais e nem poderia ser compreendido como um sonho. Porque era recorrente demais para qualquer dúvida de vertigem.
Eu vi, testemunhei, registrei: aquilo poderia ser mero fruto odára de minha imaginação. Era bastante nítido esse encontro - embora ele mantivesse a distância intocável e necessária para deleite e minha venerada apreciação. De forma cuidadosa (curioso), tentei me aproximar um pouco mais, mas seria impossível resgatar ali qualquer tipo de contato, para além do permitido - à distância porque ele é sublime. Ali, de longe, somente me caberia deslumbrar sua capacidade de irradirar o vulto claro, em duas faixas cintilantes que saiam de suas costas fortes. Um homem lindo, cheio de encantos que eu apenas admirava bem avastado, como quem procura a verdade no coração rebatido daquele sujeito tão honesto e/ou justo. Tão justo que a justiça ressaltava-se em força ardente - gravado na história dos orixás era Xangô de Aruanda, rei de Oyó. Kaó!