(Re)talhos

Algo se parte, se perde, se vai descendo a estrada vazia... coisa que não se pode medir sem tirar um pedaço seria a brisa morna de uma possível vontade de chuva que não cai na cidade armada de tamanha poluição. Quem sabe estamos fadados ao fracasso social das encostas maltratadas pelo descaso que deixar de tratar do céu azul. A cor se vai como um bonde que leva o pequeno para seu primeiro passeio na praça sem os pais. Ou talvez, seria o cheiro verda da alma que paira sobre a manhã acessa pelo amarelo forte da estrela que insiste em chegar devagar. Talvez, vale o esforço de olhar a vida com a vontade de rever bons amigos e esquecer o que não vale a pena entre-olhar, como corte seco de um velho (re)talho de camisa no tempo amargo que se passou. Foi longe a marca da calça preta, cujo lance se perdeu para dar lugar à saia fina de tecido visgoso.



Escrito por Wilton Garcia às 10:11



Passagem

Alguém padece em um canto do país pela violência que assombra nossas cabeças, enquanto o político toma seu café da manhã ao lado da decisão de não olhar ao retorno. O mundo carece de uma vontade maior. Ninguém está seguro em um Brasil que clama por socorro, sobretudo a justiça social; nem mesmo os famintos corruptos que não param de ganhar mais dinheiro com a terrível ideia de dizer que venceu.

A passagem que não estabelece um caminho, de verdade, ecoa como mero acaso de uma abertura que se vai ao vazio...



Escrito por Wilton Garcia às 10:20



(Re)começo

 

 

 

 

O carnaval 2015 terminou! Será?! Alguns foliões ainda insistem em mais uma dança no salão. Há o último baile, o último adeus, a última bebida, a última dança, a última música. As luzes já se acenderam com o raiar quente do sol e ainda tem gente de máscara. A festa, o turismo... tudo já foi. Mas, ainda tem gente que permanece em busca do último movimento de expansão, diversão e alegria. Nada de tristeza, só felicidade. Parece que não quer perder nem um pouco da brincadeira. Ou, quiçá, fica o desejo insólito de continuar a fantasia. No entanto, com a aurora vem o dia. A labuta. O escritório. O compromisso. O corre-corre. A avenida lotada. O trânsito da cidade grande. É vida que segue...

 

 

 

 

 

 



Escrito por Wilton Garcia às 09:27



Leveza

Pensei sobre a leveza

Essa insustentável discussão

Alguém falou de beleza

Mesmo na contramão

 

Lembrei-me da velocidade

E chamei a imaginação

 

No samba, em Sampa

A saudar força divina

Paz, saúde e proteção



Escrito por Wilton Garcia às 17:55



Camarotização gera desigualdade social no Brasil

A “Camarotização” indicada como tema da redação da Fuvest 2015 (Vestibular da USP) chama a atenção para o debate sobre exclusão, segregação e desigualdade social no Brasil. A relação dentro e fora ou frente e fundo de determinado local/evento arquiteta essa inadequada “Camarotização”. O poder está na frente, em cima, no alto.

Dessa forma, foi providencial a USP colocar na cena a questão do privilégio, pois separar pessoas, ditas “especiais”, em espaços privilegiados reforça, lamentavelmente, o problema da diferença social. Sabe-se que a economia no país não está bem e quem continua a pagar a conta são os mais pobres, com menor oportunidade. Assim, a expectativa de sobrevivência cai de maneira vertiginosa enquanto o consumo desenfreado no camarote demonstra sua pequenez quanto aos valores humanos.



Escrito por Wilton Garcia às 11:54



Renovar

O sistema uol informa que não posso mais enviar imagens. Por horas, estou a procura de uma informação mais concreta para compactar os arquivos. Mas, está difícil. O que parece ser explicável pelos textos - em dizeres técnicos (gerenciador de aruivos; compatação etc) - da máquina não dá conta da situação. Parece que essa compactação ajuda na criação/otimização do espaço virtual. Então, tento paulatinamente conseguir essa façanha.

Na verdade, percebe-se que o mundo virtual é bastante finito, ou seja, limitado em seu teor excludente. Pague pela senha/login se quiser avançar. Inevitavelmente, pago para publicar minhas ideias ao assinar a marca uol. E se quero mais, já que escrevo muitop, precisaria pagar mais. Depois, dissem por aí que há internet de graça, que tudo é fácil etc.

A vida capital não permite que respeire sem pagar, bem caro, pelo ar... Mais fácil é sorrir para as pessoas, assim a gente fica feliz e larga essa bobagem de internet!



Escrito por Wilton Garcia às 13:56



Retrato (fotografia, cor, 2014)


O Contemporâneo

 

Tão imediata seria a cobrança para se atingir uma produção do conhecimento que desaponta a contemporaneidade. Atualizações são (de)marcadas por inovações, as quais transformam o mundo. Mudanças.

Hoje é quase impossível não se deparar com alguém que dirige um carro e, ao mesmo tempo, tenta usar o telefone celluar. A simultaneidade é uma ideia "vendida" pelo mercado-mídia, na expectativa de potencializar o uso e a função dos objetos, cada vez mais tecnológicos.

A jornada que se encerra, aos poucos, faz parte de um amplo universo a criar "novos/outros" caminhos.



Escrito por Wilton Garcia às 15:24



movimentos (desenho, 2014)

 


 

Atenção / Ação

A imagem pode ser bastante impactante, porém necessária como alerta vermelho para a juventude que não presta atenção em suas ações rotineiras!

O carro parou rapidamente perto de mim, sem que deixasse perceber tamanha situação. Entre ferros torcidos, vidros quebrados e lataria amassada estava a equipe que imediatamente passara dessa para melhor, sem suspiro. A bebida nem permitiu que saboreassem a despedida dos entes, nem tão queridos. Retorna-se a algum lugar estranho, que ninguém sabe falar a respeito. Nem o clamor aos céus é capaz de trazer de volta a quem já não faz parte da ilha dos amores. A natureza não traz nem leva o que não lhe pertence. Fica apenas o que sobrevive aos conflitos do cotidiano.



Escrito por Wilton Garcia às 20:12



Torneira (foto digital, cor, 2014)


Por menor

Daquilo que se ve(m) com o calor, surge o sol ardente na pele serena, da morena que passa aos olhos dos pedreiros, no prédio em construção. Anda, caminha, divaga... vai a procura de uma justificativa para pensar sobre as dificuldades de conseguir o que parece bastante básico para uma metrópole - água. Faltou água para molhar as plantas, lavar as roupas ou as vasilhas. Nem choveu para que o esfriamento do chão pudesse ajudar no clima.

E o país em recesso por uma nova chegada política que quase não dá em nada. A não ser a disputa sem graça de quem procura, fertilmente, agir pelas costas. De um lado, alguém cita a corrupção, do outro a cena se repete ausente de qualquer mudança de argumento. A estratégia seria falar do outro, sem se observar e perceber o quão se torna ridícula a mensagem frágil inscrita a cada anúncio midiático. Hoje, a política brasileira lembra mais um vexame de comportamento do que a dignidade que deveria tratar os valores humanos. Seja lá qual será o(a) represente, o povo está cansado de tanta coisa mal feita por ambas as partes!



Escrito por Wilton Garcia às 12:53



NY

Engraçado pensar que há paradoxos em nosso viver, sobretudo nos (des)encontros. Das diferenças de lugares e regiões, costumo afirmar que sou mineiro por natureza: astuto, matuto.

Nasci em Belo Horizonte, mas moro em São Paulo por mais de 27 anos. Observo as diferenças culturais e identitárias que povoam a possibilidade do Ser/Estar. Isso, talvez, impressione a lógica de compreensão das diversas experimentações possíveis e inimagináveis, por exemplo, entre o pão e a padaria.

Estive em Nova York again por alguns dias, na semana passada. Percebi, mais uma vez, a diversidade de povos e culturas que passam por lá, como aqui. No entanto, sinto que (necessariamente) eles não se encontram. Há pouca concetividade entre as pessoas. Mundos diferentes, com pessoas diferentes. Nem todos(as) estão disponíveis a um olhar, um sorriso ou qualquer tipo de troca ou atenção. No entanto, a diversidade mostra que muitos, quase todos(as), querem chamar a atenção pela sua diferença.



Escrito por Wilton Garcia às 10:23



Diagnóstico (desenho digital, 2014)

 


 

Percepção

Sem cerveja ou cigarro, a cena poderia ser dispota em um filme. Afinal, o cinema permite a fantasia do deleite, como paradoxo do cotidiano.

Eram poucas palavras para vibrar a tônica daquele olhar preguiçoso, que jamais produziu um flerte sequer. Nada parecia tão superficial quanto a máxima discrição da jovem que se abatia sobre o leito do hospital. Nem mesmo o céu pretenderia abria as portas para receber aquela moribunda, que subia e descia as escadas da alma para tentar um fôlego último, em busca da chamada felicidade. Estava cansada demais para correr, mas sentia a necessidade de procurar ajuda!

A inveja que desaparece aos olhos dela deixa rastros profundos de um sentimento feio, a absorver sua pele quase seca pelas dores de ser maltratada por si mesmo. Não haveria velório, muito menos festa para dizer o quão foi fucaz sua breve passagem pela cidade dos pés descalços. Nada mudou depois dessa reviravolta, sem destino. Errante, ele se lamentou por não conseguir bater mais forte a porta na cara de quem sempre negou apoio.



Escrito por Wilton Garcia às 12:41



Paulinha (foto digital, cor, 2012)


FORMATURA

Então, alguns anos de estudos se passaram. Talvez, foi rápido demais, porque foi bem pesado. Pode Ser! Houve muita dedicação e esforço na correria, entre diversas leituras, escritas e atividades de aplicação. Na prática, redescobre-se a teoria. E agora vem o resultado final: a formatura. Agora é festa, basta comemorar e receber o prêmio mais querido - o diploma.

Porém, com a vitória, também vem a responsabilidade ética, profissional e social. O sonho dourado que se desdobra no cotidiano do consultório, em cada atendimento ao cliente/paciente será medido pelo trabalho realizado. Sua atenção especial ao(à) outro(a) que fará de você uma pessoa melhor. Deixe que o afeto esteja presente em seu domínio profissional. Jamais esqueça quem você é! Isso que faz de você esta garota tão especial para sua família e amigos(as)... Daqui pra frente será também para os pacientes, que necessitam de seu serviço, seu apoio...

De algum lugar, de alguma forma... nos conectamos, estamos juntos. E aí vem a lição para seguirmos nossa caminhada...

Minha doce criança, Paulinha, já cresceu!

Com afeto,

O Padrinho



Escrito por Wilton Garcia às 19:02



Museu (foto digial, cor, 2012)


Telhado

Diante de diferentes possibilidades de se observar a vida, a cidade, a casa... lá se vai os olhos em direção ao céu. Acima. Para o alto. Em dia claro, a luz solar envolvente penetra entre telhas e frestas, sem sequer conseguir um bom encaminhamento de sua própria função climática a esquentar a moradia. Brilho que tenta atravessar fronteiras, a invadir fragmentos. Do telhado ao forro de palha, há um enorme espaço vazio, em que se espalha a claridade no teto da casa abandonada. Lá têm diversos materiais como ferro, vidro e/ madeira. Parece museu!

A arquitetura que projeta tal cena inscreve, talvez, o período vitoriano de Londres. Cena de cinema! As cores apagadas não deixam de lembrar a dureza dos antigos desenhos a bordar arabescos de ferros torcidos apoiando vidros, com o encaixe flutuante de um forro apontado por pedaços de madeiras e tábuas. O resultado expõe uma grande claraboia ao centro da imagem fotográfica - como registro/impressão da realidade londrina.



Escrito por Wilton Garcia às 11:40



Tia Maria


 

Devagar 

Hoje os movimentos são mais lentos, porque a natureza chora a passagem de uma amiga, irmã, mãe, tia. Alguém muito especial que se vai ao encontro de outras possibilidades - ad infinitum.

Não poderia sequer deixar o som penetrar nossos corpos, pelos ouvidos, pois o silêncio aqui vale a necessária calmaria.

Nem se sabe ao certo o que aconteceu, apenas fica a lembrança de uma pessoa feliz a dançar e cantar feito um anjo.

Na força de sua juventude, a idade nunca será inimiga da bondade que se presta ao outro.

Terei saudade do bolo, da pipoca, do sorriso fraterno e seu abraço carinhoso.

Peço às forças do Universo que permita sua simplicidade tocar os corações da gente.



Escrito por Wilton Garcia às 10:43



Amor (digital, cor, 2014)

 


 

AMOR

Do que valem as palavras quando parece, talvez, não fazer sentido o que se diz?

Cheia de razão, mostrou um quadro bastante estranho (diferente) diante dos meus olhos. Fiquei pasmo! Tentei aconselhar para evitar mais problemas. Porém, houve recusa, não quis dar ouvido. Fez de despercebida. Insistiu em uma absurda teimosia que não avança. Diz que é paixão! De fato, está perdida entre carências e caprichos, em busca de uma sublimação que faça sentir-se melhor. Apenas vaidade. 

Procurar na palavra a expressão ideal que ajude o (a) outro(a) a compreender suas próprias relações não seria algo fácil, porque não há o entendimento comum sobre as coisas no mundo. O Ser Humano acredita que PODE e experimenta sem a devida noção do que causa a muitos... Cada vez mais, o sujeito pensa e age a sua maneira, sem se preocupar com as consequências...

Nem sempre certa, nem sempre errada, a dúvida serve para avaliar o processo de construção de uma ideia. Mas, percebe-se que a vida a ser tratada com dignidade precisa de calmaria para as escolhas que acompanham enfrentamentos conflitantes.

Vale tentar equacionar os desafios que surgem com cada tomada de decisão. Ponderar as possibilidades diante da circunstância que se desenham os fatos. Permitir a cautela como característica para resolver problemas e sanar dificuldades. Nem sempre se consegue agir sem planejamento. Todavia, o AMOR vence! 



Escrito por Wilton Garcia às 15:00



 




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