Raios (desenho digital, 2013)


Simultaneidade

A cultura digital provoca situações intrigantes sobre o modo de consumir as tecnologias emergentes atualmente. Uso e função se (des)dobram, cada vez mais, em uma sistematização complexa.  E a sociedade contemporânea parece permear debates com passagens inteligíveis/sensíveis que reconduzem transformações enfáticas entre arte, comunicação, design e hipermídia.

Por exemplo, mercado-mídia hoje se tornou um binômio inseparável para agregar força e “vender” mais ao consumidor; ávido por novas ideias. A simultaneidade seria, então, um conceito em que ambos se atrevem, de forma inadequada, a informar que facilita o viver. Mas afinal, quem dirige um veículo e fala no telefone celular sem diminuir o nível de atenção deve ser um expert em ações percepto-cognitivas.



Escrito por Wilton Garcia às 07:17



 

Dose dupla (fotografias)


Para minha Mãe

Hoje, ela completa 77 anos.

Nascida em um vilarejo de poucas ruas, descreve sua cidade natal, Florália, como lugar mágico, cuja água dá as boas vindas ao visitante, que primeiro atravessa a bica no alto do morro. Esta continua sendo a entrada da cidade, em que se lava os pés e se bebe da água na fonte para depois chegar.

No interior de Minas Gerais, o lugarejo mal consegue se despontar entre os municípios de Santa Bárbara, Barão de Cocais, Catas Altas ou Rio Piracicaba. E de 1936 para cá pouca coisa mudou, como Pedra Azul, mais ao norte...

O google maps, por exemplo, não detalha a região, assim como os espaços excluídos pela cultura digital. Mal reconhce, portanto, o mapa hipermidiático que não sinaliza o entorno. A geografia do abandono relaciona apenas o sofisticado movimento da metrópole.

Mas, não esqueço que Dona Lourdes veio de lá!



Escrito por Wilton Garcia às 12:03



Suspiro

Quando as gotas do orvalho chegarem até a janela do carro saiba que estarei te esperando! Se, por acaso, achares que isso possa apenas soar poético é porque não percebeu a vontade de caminhar mais um pouco contigo, para que a vida pudesse desenrolar um fio mais contínuo...

Estas seriam as palavras de uma escritora enlouquecida com sua personagem, ao tentar descrever os fatos recorrentes de sua literatura visceral, em busca de uma imagem que ocupasse o valor necessário ao desafio. A narrativa expõe conflitos a serem alternados pelos relatos do cotidiano.

 



Escrito por Wilton Garcia às 15:05




Dígito

Uma senhora vai ao supermercado e fica surpresa com o preço caro do tomate. E reclama que isso tá pela hora da morte! A justificativa do vendedor é a chuva, o mal tempo, as tempestades.

Hoje, o clima interfere na economia brasileira, em razão da cadeia comercial de compra e venda de produtos, marcas e serviços. Uma mastigada ampliação do esforço da agricultura junto a balança comercial influencia os valores até da comida na mesa. A fartura e a abundância parece ser para poucos...

A cultura digital, assim, oferece a possibilidade de representar as coisas no mundo. Além disso, criar deixou de ser apenas ação artística para ampliar o lugar da estética. Questiona-se a arte, comunicação, cultura, design, tecnologia etc.

Agora, as tecnologias emergentes convidam o/a usuário-interator/a a experimentar "novas/outras" situações inimagináveis. A condição humana, cada vez mais, (de)marca estratégias que pressupõem concetividade, interatividade, funcionabilidade e/ou usabilidade.

Quando o impacto do consumo, de modo paradoxal, redesenha traços da desigualdade social no Brasil e no mundo, torna-se necessário refletir sobre as decisões cotidianas que efetivam o desenvolvimento humano.

Já parou para pensar sobre isto?!



Escrito por Wilton Garcia às 11:34



Caixas (fotografia digital, 2011)


A gift

Um presente tem  o sentido de boas trocas!

Quando o presente surgiu nas mãos de meu padrinho, comecei a pular de alegria. Era uma pequena caixa e dentro um carrinho. Sem que os demais presentes percebessem, aquilo era o que eu mais queria. Tocar naquela caixa mágica foi sinônimo de felicidade. Não me contive com o sorriso. Pulei muito. E claro, não deixei de agradecer.

Minha alegria era tão visível e contagiante, que logo tratei de guardá-lo; antes que o pessoal da festa bisbilhotasse. Confesso que nem queria tocá-lo, novamente, para não estragar.

Ganhar presente faz bem à alma. Ainda mais quando se recebe de alguém querido. E dessa doação sobraram boas lembranças que com o tempo se transformaram em afeto. Cresci, me tornei adulto.

A vida continua...



Escrito por Wilton Garcia às 15:30



Mulher (desenho, 2013)


Direitos Humanos

Os traços frágeis do desenho, acima, quase se apagam em razão de seus direitos não respeitados. A ideia seria retratar a mulher violentada tanto no trabalho, na rua, quanto em casa. A força feminina sobressalta a vida... 

Será, talvez, que os valores humanos estão perdidos entre os interesses do capital? Trocaram a ideologia pela tecnologia a ponto de ressaltar apenas o consumo.

Nesse sentido, necessitamos pensar (melhor) como vencer a batalha da violência, da segurança e da desigualdade social. Queremos que os Direitos Humanos revelem a plenitude das ações cotidianas do sujeito social.

E falta coragem dos/as governantes brasileiros/as para humanizar as relações de poder. Hoje, nossa sociedade protesta veemente a representação equivocada dos políticos, sobretudo a corruptela exacerbada da Pátria amada idolatrada salve salve.



Escrito por Wilton Garcia às 09:18



 

Flor de casa (fotografia, cor, 2013)


De repente

Quando alguém me pergunta como se faz para caminhar penso que o melhor conselho seria olhar para frente. Seguir!

Firmar os passos e aguardar o que surge a cada decisão tomada. Achar que posso caminhar sozinho seria ilusão, mas deve-se ficar atento para não deixar de preencher as breves lacunas que aparecem ao longo de cada jornada.

Escrever, então, parece ser uma cena que descortina as propriedades daquilo que necessita ser (re)formulado por uma palavra, um verbo, uma imagem, uma ideia. Pode ser uma escrita pequena, mas que registre o fôlego aceso para abrir as portas da imaginação.

Ontem, percebi que a renovação das amizades acontece com a estrada que bifurca - em curvas. Vale a pena exorcizar as travessas, becos, ruelas e pequenas pontes que não mais intermediam nosso destino. Por isso, a amizade que jamais se desfaz pede um tempo para experimentar novas/outras possibilidades.

Sem troca fica bastante difícil. Por isso, seria bacana lembrar que a doação se traduz em um conforto de atenção, sorriso, abraço. Ou seja, afeto.

Ah, meu samba...



Escrito por Wilton Garcia às 11:01



 

OOO (desenho, cor, 2013)


 DECLARAÇÃO_

A prosperidade bate à porta. Um movimento dinâmico de satisfação faz o entorno melhorar, de modo articulado. Agradeço as possibilidades.

Estrategicamente, o mercado e a (hiper)mídia informam que não deve haver mais culpa no ato de consumir. E gastar o dinheiro em abundância já não seria mais pecado algum.

Talvez seja irônico gritar: Viva o comércio!

A passagem que suaviza essa questão amortiça as condições socioculturais em prol de uma possível culpa, que permeia o universo do consumidor. A compulsão pela compra procura devorar a vontade, o desejo...

No entanto, vale a pena uma reflexão mais detalhada sobre a influência mercantil e/ou (hiper)midiática.



Escrito por Wilton Garcia às 09:14



3 cabeças (fotografia digital , cor, 2013)


BLOg

Anotação. Registro. Documento. Um diário virtual feito pela forma/pensamento!

Nada complexo. Um conjunto de informações (des)dobram-se sobre o tecimento de ideias e referências entre (hiper)textos, imagens, sons...

Atravessei o rio em busca de uma informação que pudesse me curar daquela vontade absurda para (re)torcer as folhas de papel. Estavam soltas sobre o livro de receita enviado pelo correio nessa última tarde  de sábado. O recado era preciso: "volto assim que conseguir terminar a colheita de café".

Aquilo fervilhava na minha cabeça à procura de uma solução que apontasse de imediato o valor das anotações, estrategicamente (re)desenhadas sobre o Vale do Silício.

We want more!!!



Escrito por Wilton Garcia às 16:06



Live (desenho digital, 2013)


COMUNICAÇÃO_

Mais um Ano BOM chegou e seria interessante organizar a informação que pretende ampli(fic)ar ao universo.

Quem não seguiu a procissão pode perceber os acontecimentos em volta da igreja, na pequena cidade ao norte. Mais que uma vontade absurda do viver!

Helena adentrou ao solar para clamar mais respeito pela sua liberdade. Foi em vão! Próximo ao piano, o pai sentado negou sua própria força para atravessar a sala em busca de um apoio qualquer. Nenhum amante poderia ser tão cruel quanto o rapaz que ali prostrado esperava a máxima familiar para usufruir da moça, e dos alimentos ofertados na hora da merenda. O circo parecia não ter fim...

Você já parou para pensar como deseja comunicar suas ideias ao mundo?



Escrito por Wilton Garcia às 10:00



_21_12_12_

A expressão "fechado para balanço" poderia, talvez, sintonizar as marcas extravagantes apontadas por ele em busca de uma breve resposta que acalentasse essa ideia estranha sobre o fim do mundo, fim dos tempos. Porém nada aconteceu diferente por aqui. Nesse dia o sol, mais uma vez, brilhou radiante desde o amanhecer da aurora. Parecia ser/ter uma energia fruída de vibrações pulsantes!

E o conto da mãe ÁFRICA ecoou aos 4 cantos do mundo! Foi a história de Chico Rei (o héroi Galanga) que despertou no terreiro, uma noite antes, para saudar aos deuses negros sobre a dança e a fartura das anedotas que irradiam a força serena dos orixás. Tizumba falou o que sabia e sabia muito sobre a lógica escrava que passou pelo continente americano, sobretudo no Brasil.

Vaguei na noite serena acompanhado de amigos que beberam, comeram e se divertiram ao toque dos atabaques. A escura se foi, o dia nasceu e a vida continua...




Escrito por Wilton Garcia às 12:45



Cola (scanner, 2012)


EVIDÊNCIAS

Há um conjunto expressivo de ideias insolentes que povoam a cabeça quando se observa a natureza humana, destrinchada pelo desejo. A falta! Essa estranha lógica de necessidades e compensações imprime um gosto desequilibrado, incongruente.

Cada vez mais, o discurso tecnológico convida o sujeito a se transformar em indivíduo. Tal individuação que o despotencializa limita-se a absurda fragilidade recorrente...

Mercado e mídia cooperam apenas com o frenético consumo. Interessa o eixo capital. E se, por acaso, o sujeito não consome isso parece ser uma provocação ao sistema hegemônico.

(Re)apropriar-se da vida seria uma instigante possibilidade de olhar para si, sentir e perceber a pulsão humana, longe de qualquer resposta imediata - quase esquizofrênica - para adquirir e/ou (re)ter objetos supérfluos.  

Por isso, pergunto: vc pretende ir às compras de natal?



Escrito por Wilton Garcia às 09:54



escravo (desenho, 2012)


[20_11]

O Brasil comemora a Consciência Negra no dia 20 de novembro e (re)lembra o falecimento de Zumbi. Herói negro que lutou pela libertação dos escravos das senzalas e fundou um Quilombo no Nordeste chamado Palmares.

Com o simbólico fim dessa opressão, de lá para cá muita coisa mudou. Porém, ainda há a necessidade de outras mudanças perante a desigualdade social.

A população negra no país predomina veemente... Mas, as mazelas impostas pela sociedade são enormes. A sobrevivência étnico-racial torna-se uma contante para apaziguar as dificuldades da má distribuição de oportunidades. Um país que pretende acabar com a pobreza deve debater o valor humano. Não se trata de um apelo, mas uma constatação.

Inevitavelmente, o Orgulho de Ser Negro deve prevalecer ao sabor de nossa condição afrodescendente!!!

Da ancestralidade guerreira não vale dor ou rancor e sim a compaixão para ativar nossa sagrada possibilidade de amar... Felizes são aqueles que ativam as heranças do meu tataravô, junto com o bisavô, o avô ou o Pai no reinado dos povos de pele escura.



Escrito por Wilton Garcia às 10:15



Linha (desenho, 2012)


D e s e n h o

Das resultantes que ressaltam aos olhos, a imagem surge em um fio de linha a configurar um estado imaginário, em que cada movimento reflete sua potencia. O que se entrecruza nesse enredo costura, sutura, tece um mundo... em prol da vida.

A sensação de (des)continuidade eleva o pensamento sob o desafio de uma batuta chamada poética. De que valem os esforços para a criação quando se encontra o desespero da concorrência, em uma frenética busca absurda pelo vencer?

Nota-se, alguém esqueceu de apostar nas (inter)mediações ideológicas que acedem o corpo, diariamente, diante das tecnologias emergentes!

Talvez, isso pode ser altruísta demais, mas lá vai: avante companheiros/as (guardiões da felicidade), pois parece que a sociedade contemporânea trocou o ideário de bem estar por migalhas do capital.



Escrito por Wilton Garcia às 19:32



Bacon (técnica mista, 2012)

 


 

MOVE

O que produz o movimento para além do corpo são os olhos que observam. Portanto, a forma de perceber o mundo faz a cabeça girar. Rodopiar.

Ontem, tive a oportunidade de assistir o espetáculo do bailarino e coreógrafo Ismael Ivo. Ressalta-se o inusitado. Uma dança intensa cria um viscoso diálogo com o orgânico discurso pictórico de Francis Bacon. Da violência às rupturas imaginárias, destaca-se a carne diante de experiências desenfreadas. Um ar visceral pretende aproximar/relacionar Alemanha, Brasil e Inglaterra. 

Algo impactante emerge por acaso, força e potência, que se (des)dobram em cena, estrategicamente, de modo inevitável. Entre imagens e sons, atropelos de mãos, facas e tombos criam uma constância efervescente de provocações sinestésicas. Soma-se ao desfecho (inter)subjetivo uma Valentina dependurada no palco como mercadoria em dia de feira. E se surpreender, nessa poética, pode ser um tema do despertar, a vida continua... 



Escrito por Wilton Garcia às 09:44



 




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